Olá amigos, é com grande prazer que disponibilizo algumas entrevistas com meus amigos do time JBoss no Brasil, o primeiro deles é o Edson Tirelli, Core Developer do JBoss Rules, que nesta entrevista fala um pouco do seu trabalho com e para a Comunidade, além de seu trabalho na RedHat Brasil.


1 - Edson noss fale a repeito do que for interessante da sua vida pessoal, idade, hobbies, manias e etc?

Tenho 28 anos, sou casado, nasci em Santa Catarina e moro em São Paulo desde 2001. Curto muito viajar (eu e minha esposa adoramos praias desertas (difícil) e de águas calmas, para mergulhar). Gosto muito de assistir filmes e tenho um grupo de amigos que se reúne frequentemente para jogar eurogames.


2 - Faça um breve resumo de sua carreira antes de você entrar para a JBoss, a division of Red Hat ?

Me formei Bacharel em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Santa Catarina no fim de 1999 e logo depois fui contratado pela Automatos. Fui trabalhar no Rio com desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de Servidores de Missão crítica. Um trabalho bastante desafiador e de baixo nível, mas muito interessante. Em 2003, já em São Paulo, comecei a trabalhar na vertical de Telecom e fui para Convergys, uma grande multi-nacional no desenvolvimento de sistemas de Billing para Telecom. Lá atuei até 2004 como Gerente de Desenvolvimento. De lá fui para a Auster, que também desenvolve sistemas para a vertical de Telecom, trabalhando como Arquiteto de Soluções. Em todo este tempo, tive oportunidade de trabalhar com tecnologias que vão do C/C++ em ambientes unix pouco conhecidos como o Tru64, até aplicações java em cluster rodando em Mainframes zOS. Foi tudo sempre muito divertido.


3 - Open-Source é importante para você? Se sim, como o Opensource mudou o a concepção da tecnologia nos dias de hoje?

Comecei a trabalhar com open-source em 2002, justamente com o JBoss AS. De lá pra cá, minha impressão é de que as comunidades se fortificaram, a disponibilidade e a qualidade dos produtos aumentou e os modelos de negócio em torno do software open-source se solidificaram. Acho que o software open-source funciona cada vez mais como um catalizador na indústria de TI, acelerando a inovação e gerando demanda por alta tecnologia. Além disso, devo dizer que não conheço uma empresa sequer que consiga agregar a proporção de profissionais de qualidade que um bom produto open source consegue. Desenvolvedores open-source contribuem não porque são obrigados, mas porque gostam do que fazem, e isso por si só já é o maior estímulo possível para um trabalho bem feito. No campo pessoal, devo dizer que nunca aprendi tanto tecnicamente como nos últimos anos, desde que comecei a contribuir. Esses mesmos profissionais de alto nível técnico, de bom grado, ensinam e ajudam a todos os que se dispõem a contribuir também, passando adiante conhecimento, e impulsionando ainda mais a inovação. Tal ambiente é muito diferente de um ambiente corporativo tradicional, onde muitas vezes, infelizmente, a competição sobrepuja a inovação como maior objetivo de alguns profissionais.

4 - Como você ingressou no projeto Drools (antigo nome do JBoss Rules)? Você já começou ganhando um salário para isso?

Foi em 2004. A empresa em que eu trabalhava estava projetando um sistema especialista e eu fui encarregado de pesquisar e definir a plataforma e as tecnologias que adotaríamos. Ao final da avaliação, o Drools foi um dos produtos adotados. Comecei a utilizá-lo como usuário, mas me empolguei tanto com a área de IA e os Engines de Regras que acabei me juntando a comunidade e em 2005, comecei a contribuir para o projeto como um hobby. Não recebia salário por isso e contribuia em minhas horas vagas e fins de semana, mas acho que foi aí que entendi o valor de se tornar um desenvolvedor open-source. Construir algo que ajudará milhares de pessoas mundo afora e saber que é você quem está fazendo a diferença. Entrar em contato direto com as pessoas que você vê nos sites, lê nos livros, vê na televisão, e descobre que são pessoas como você. Aprender com elas (como alguns dizem: “beber direto da fonte!”), crescer profissionalmente, e quem sabe um dia, ser também você um ponto de referência para a comunidade mundial. Alguém que fez a diferença.
Em 2006, entrar para a Red Hat foi uma realização. Significou para mim, poder fazer em tempo integral aquilo que eu fazia somente por hobby. Significou entrar no olho do furacão. Entrar em uma das empresas que está no centro do movimento open source e que investe em seu crescimento e maturação. Realmente foi muito bom.


5 - Quer dizer então que a forma mais fácil de entrar no projeto é mandar o curriculum para você ou seu gerente?

A melhor forma é juntar-se a comunidade. Escolha um projeto que tenha a ver com áreas de interesses suas. Entre no IRC, fóruns e listas de discussões desse projeto. Conhecimento e experiência prévios são totalmente dispensáveis. Os desenvolvedores open-source são geralmente muito prestativos e procuram sempre ajudar, especialmente os novos usuários e contribuidores. O importante é gostar do que se faz, ser pró-ativo e não ter vergonha de aprender. Trabalhar em pesquisa e desenvolvimento (R&D) é trilhar caminhos nunca antes trilhados. É gerar conhecimento e moldar a tecnologia. Os projetos open-source não possuem um dono. Todos podem contribuir, e assim que começar a contribuir, você passa a fazer parte da equipe. É claro que existem muitas necessidades já mapeadas em projetos open-source, e conversando com a equipe de desenvolvimento de cada projeto, estes podem indicar áreas e tarefas pelas quais você pode começar a contribuir e que ajudarão no início de seu trabalho.

A Red Hat por sua vez investe constantemente nos projetos open-source através da contratação dos contribuidores mais prolíficos. E o melhor de tudo, como citei anteriormente, é que estes contribuidores são contratados para fazer em tempo integral aquilo que faziam como um hobby. Ou seja, seu currículo deixa de ser um papel e passa a ser o resultado do seu trabalho.


6 - Como é o dia-a-dia de um Core-Developer de produtos da JBoss e morando no Brasil?

Confesso que é bastante diferente de todos os trabalhos que já tive. À começar pela logística: os principais contribuidores do Drools/JBoss Rules ficam no Brasil, Canadá, Inglaterra e Austrália, com alguns contribuidores espalhados em outros países do mundo. Nosso principal meio de comunicação é o IRC, mas também usamos VoIP, IM e e-mail. A RedHat tem escritórios no Brasil e alguns dias por semana os desenvolvedores brasileiros se encontram para trabalhar no escritório. Nos outros dias, trabalhamos remotamente em home office. É impressionante como é bom e o quanto aprendemos quando passamos a trabalhar em projetos onde as barreiras geográficas desaparecem. Dos aspectos técnicos até a troca de experiência cultural entre a comunidade, o aprendizado é contínuo.


7 - Qual mensagem você deixa para vários desenvolvedores da comunidade Java como forma de incentivo profissional?

O Brasil é sem dúvida nenhuma um expoente em termos de desenvolvimento open-source e tecnologia Java. Vemos isso todos os dias, de projetos e contribuições fazendo sucesso mundo a fora, até eventos e convenções como o JavaOne onde a presença brasileira é sempre marcante. Então, para quem não participa ainda, junte-se a nós. Entre em contato, comece a contribuir e coloque o seu nome na história. Venha fazer a diferença!

Edgar: Muito obrigado Edson pela Entrevista!


Edson Tirelli
Edson Tirelli - Core Devoper JBoss Rules.

2 Responses to “Entrevistando: Edson Tirelli (Core Developer do JBoss Rules)”

  1. Leandro J. Komosinski says:

    Sempre é bom ver brasileiros se destacando. Considero o Edson o aluno mais completo que tive nestes 17 anos em que sou professor do curso de Computação da UFSC. Por completo eu quero dizer que ele não só tinha um profundo conhecimento técnico mas, o que realmente faz a diferença, era uma pessoa totalmente equilibrada, muito fácil de se conviver.

    Leandro

  2. Alessandra says:

    Quero dar os parabéns aos dois pela atitude de compartilhar suas idéias. É muito importante para quem está iniciando no mundo da programação e não sabe por onde começar.

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