Quando estamos de férias temos algum tempo  de ficar apenas navegar no que nos dias normais é trabalho, comecei a ler sobre vários assuntos, um deles sobre a grande leva de empreendendorismo a solta na rede em torno do assunto opensource (código livre).

Encontrei alguns textos e reflexões muito legais de uns caras fenomenais, entre eles Bob Bickel (ex-JBoss, investidor da Hyperic que fora comprada pela SpringSource e na sequencia pela VMWare e mais recentemente um dos conselheiros da empresa francesa ExoPlatform ), além de Shaun Connolly (ex-JBoss, atual SpringSource/VMWare), na época que estes caras começaram a tornar mais profissional ou pelo menos: “Menos amador” o opensource, eu e um grande amigo, tivemos a idéia de montar uma empresa na nossa cidade natal, após alguns anos vivendo em São Paulo, alguns motivos meus me fizeram embarcar nesta empreitada, eu me juntava então em Julho de 2002 a Argos Tecnologia na posição de Diretor Técnico, e encontrei no site: http://web.archive.org uma forma de relembrar este saudoso momento, já que este site faz você voltar no túnel de tempo dos webistes de alguns anos atraz, sendo assim, aqui está o site da Argos em 2002:

Site da Argos em 2002: http://web.archive.org/web/20020806024025/argostecnologia.com/arg_fale.htm

Nesta época, enfrentamos um monte de desafios que todo o pequeno empresário que quer empreender acaba se deparando no Brasil, mas o mais triste era a grande falta de apoio e incentivo das empresas locais, nos fazendo tendo que atender muitas vezes empresas fora de Belém, a capital que nasci e que queria ajudar na mudança do contexto de tecnologia daquele momento. Pelo menos, conseguimos formar um grande time de profissionais, que hoje trabalham alguns em empresas como: IBM, Red Hat, Stefanini, AdaptWorks, Cobra Tecnologia etc… Eu lembro que alguns amigos que se formaram comigo trabalham em empregos dignos mas pouco desafiantes tecnológicamente, e lembro que não tinhamos muito dinheiro, mas tinhamos uma coisa ainda mais valiosa: “Conhecimento”! E vários deles toparam o desafio conosco.

O que tem isto a ver com opensource, tunel do tempo etc? É engraçado, que um dos grandes produtos que tinhamos naquela época era um “Serviço de Migração de Ambiente J2EE Proprietário para Aberto”. Lembro, que estive em Manaus por cerca de 2-3 semanas, migrando um ambiente de um cliente que era uma completa salada de servidores de aplicações, no final, estabeleceram que naquela época em 2003, eles iriam utilizar WebSphere para as aplicações que geravam receita e podiam pagar pelas altas licenças, mas que aplicações departamentais ou de pesquisa usariam um ambiente JBoss Application Server. Na verdade nosso “Produto como Serviço” migrava de qualquer IDE Java para Eclipse, e qualquer Servidor de App para JBoss, sem falar nos controladores de versão (Qualquer um para CVS) e outras soluções… Mas nos faltou o pulo do gato em criar alguma solução mais profissional, já que uma vez acabada a consultoria, eu voltava pra casa deixando o cliente com a documentação do que foi feito, vários docs e pdfs das soluções que eram os manuais, bem como e-mail de contato e telefone, mas nenhum compromisso de garantir que se eles perdessem duas máquinas na semana seguinte por pico de luz, nós voltaríamos lá para resolver tudo de novo, até iriamos, mas nunca sem cobrar por isto. Naquela época, nós nunca pensamos ou tivemos tempo suficiente para criar um modelo rentável sobre opensource, foi uma pena.

A Argos durou o suficiente para eu ter aprendido muito mais que qualquer universidade de negócios, administração, mas mesmo assim, eu fui estudar, afinal, eu me achava um bom técnico, mas um péssimo Administrador, eu sai da sociedade e anos depois meu grande amigo e ex-sócio, resolveu encerrar as atividades da empresa, na verdade muito mais pela falta de maturidade e apoio do mercado local, em acreditar que aquela empresa era sim no nível de qualquer outra empresa de tecnologia de qualquer lugar do país, e este meu ex-sócio hoje toca uma empresa que eu admiro muito, e é mais que um exemplo de superação e reinvenção de um profissional, de um grande DBA a Desenvolvedor… Hoje uma referência em Scrum no Brasil, e dirigindo uma empresa sim super inovadora: A AdaptWorks.

Eu lembro com saudade da época de empresário, mas por saber o quanto é difícil, eu prefiro tocar minhas idéias dentro de uma empresa, por hora é mais seguro, mesmo tendo que “vender” tudo duas vezes: 1) Pro mercado, 2) Internamente, no final, existe uma recompensa, de algum modo, o que eu vejo no empreendendorismo é algo que faz parte do DNA de algumas pessoas, e não importa o lugar, já que o senso de responsabilidade nos faz perceber que somos parte do todo, por isto, não podemos ter o descaso e a falta de compromisso com o dinheiro alheio, já que somos funcionários ao invés de donos, sendo assim o mais importante é tentar ser criativo, inovar, não ter medo de errar, afinal, os erros quando refletem nossas fraquezas e nossa falta de preparo, passa a ter valor positivo.

Eu sei que um dia eu volto a tocar meu barco ditando a direção do vento, mas eu sei que isso me fará trabalhar ainda muito mais do que eu trabalho hoje em dia, então, é melhor por hora poder saber que de noite eu volto pra casa encontrar minha esposa, que é minha família, mas um dia eu volto a me jogar nesse bungee-jumping que é a adrenalina de tocar uma empresa sua, a adrenalina é tão viciante quanto, e a responsabilidade tem que ser mesma, e temos que ter sempre força para voltar pra cima, mesmo que as leis da física, ou simplesmente os impostos do Brasil sempre queiram nos levar … pra baixo.

Amanha dia 22, eu entro de férias, na verdade, na primeira semana do ano eu volto para uma consultoria em um cliente, mas aí depois continuo as férias, só voltando depois do dia 18 a trabalhar.

Hoje foi a festa de confraternização da Red Hat, muita alegria nas pessoas, que juntas formam mais que uma empresa, eu diria que ainda temos tamanho para nos considerarmos uma “grande família”, não pela bagunça somente quando estamos juntos, mas também pelo carinho e cuidado que cada um tem com o outro.

Sendo assim, desejo ótimas festas, fantásticas celebrações, e que o ano novo que se aproxima a todos lhe traga tudo que você deseja, bem como toda a saúde, paz e serenidade para conduzir todos seus desafios, e claro que Deus Sempre lhe ilumine ao trilhar seus caminhos.

Particularmente não acredito que seja tão simples assim, mas acredito que possa ser um pontapé para entender um pouco desta metodologia que moda ou não, é bastante útil:

Grupo Tá Safo!

Grupo Tá Safo!

Se você ouvir a maioria dos paraenses falando, você vai perceber uma conjugação verbal que parece até “frescura”, afinal não é sempre que tens a oportunidade de escutares o português com alguns detalhes um tanto quanto distintos, entretanto várias gírias locais, fazem parte de nossa cultura, e essa mistura faz das rodas de bares, ou até mesmo nas conversas de tecnologia torna tudo que se escuta um tanto quanto especial, e entre estas gírias, está a frase “Tá safo”, que podem ter vários significados.

Safo, pode ser aquela pessoa conhecedora de um assunto, ou também “esperto para algo”, ou ainda “solicito” para realizar alguma atividade em conjunto, quando você for a Belém, e alguém lhe perguntar: “E ai tudo certo para finalizarmos o projeto”, você pode responder “tá safo!”, a pessoa vai entender o que você quer dizer! Acredito que por isto, um grupo de várias pessoas “safas” e aptas para responder “tá safo!”, criaram uma comunidade vibrante em torno de vários assuntos de tecnologia, cuja o nome não poderia ser diferente: “Tá safo”.

Uma comunidade de verdade, não se apega aos nomes em si, em caciques, em modelos ortodoxos que lembram uma empresa que todos os modelos de gestão mais modernos condenam com toda a veemência, e esta comunidade, mesmo não morando mais em Belém me parece isto. Eu já encontrei várias pessoas do “Ta Safo” no FISL(Forum Internacional de Software Livre), que acontece em Porto Alegre, o que isto significa?

- Cerca de 4.000 kilometros


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- Um voo de cerca de 8 horas (contando as paradas, é quase o tempo de GRU a MIAMI)
- Um custo de quase R$1.500,00
Então, diga se esses caras não são “safos”?

Trabalhar com tecnologia na região norte é algo extremamente difícil, começando pela mentalidade de baixa autoestima que temos, ao sempre valorizar muito mais o que é de fora de Belém, os sotaques diferentes aos nossos, ou mesmo a aparência. Eu já fui sócio de uma empresa que me orgulha muito a experiência com os profissionais e o público que fizemos, quando fiz parte da Argos Tecnologia, no entanto, era extremamente frustrante, pra mim e para meu sócio Alexandre Magno (hoje na bem sucedida paulistana e londrina AdaptWorks), lidar com tantos problemas como: “Esses caras não são de nada, eles são daqui do Pará, bons de verdade são os caras que vem lá de fora…“, isto me gerava uma revolta tão grande, principalmente porque em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e até fora do país, vejo vários profissionais paraenses sendo respeitados de uma forma que acredito que jamais seriam, se as 18:30 estivessem tomando uma cerveja no AmazonBeer na estação das docas.

Eu fui embora de novo de Belém em 2004, e hoje consigo ver alguma mudança, começo a ver empresas investindo em mão de obra local, e no talento que nosso povo tem, sabe-se lá é pelo Açaí orginal, ou pelo tacacá , ou pela maniçoba, ou pela alegria natural que temos. Junto com essa pequena mudança eis que vejo essa nova comunidade: TaSafo, surgindo como portavoz de outras comunidades, entre elas até o Beljug(Grupo de Usuários Java), da qual tenho prazer de ter trabalhado na sua fundação. O TaSafo representa este espirito mais dinamico, mais aberto, até mesmo como a própria JDK dos dias de hoje, que aceita linguagens como JavaScript, Ruby, Python, Groovy e etc… Então, por que não culminar na junção de esforços unificados, para de vez termos um mercado mais forte, que consuma a mão de obra local, que faça com que sintamos orgulho de nossa gente, e não só quando um representante nosso no esporte faz algo de “inesperado”.

Eu tenho amigos, que fazem parte da minha família, que são guerreiros por trabalharem em Belém, os admiro, pois eles tem mais coragem e disposição que eu mesmo, então este post é para parabenizar todo esse grupo, conhecido como: Tecnologias Abertas com Software Ágil, Fácil e Organizado, ou simplesmente Tá Safo! Todos tem a chance de mudar, de fazer a diferença, então não perca tempo, se você quiser, junte-se a eles.

Só tenho a dizer que esse esforço, essa energia em busca da formação e fomento de tecnologia em nossa região só poderia ser descrita com um advérbio bem nosso: “Paid’égua”!

Acesse hoje: http://tasafo.org/